Após brilhar em escolas de samba, capixaba quer ser nova musa do funk

Aos 26 anos, Reeyse é um furacão de mulher, pronto para derrubar julgamentos e mostrar que é possível, sim, chegar aonde se quer com muito talento e dedicação. Nascida Ana Caroline, no município da Serra, ela é DJ, modelo, bailarina, influenciadora digital e, agora, a mais nova aposta do funk capixaba, com o lançamento de suas primeiras canções: “Clima de Maldade” e “Morena Tatuada”, ambas disponíveis na internet, universo onde ela faz o maior sucesso. Só no Instagram (@reeyseofc), a morena possui quase 35 mil seguidores.

“Quero que as pessoas olhem pra mim e reconheçam que uma menina da favela, negra, tatuada, criada só pela mãe e que, por muitas das vezes, foi desacreditada, chegou num lugar onde muitos disseram que ela não chegaria. Desde quando era criança e deitava minha cabeça no travesseiro, dizia que queria ser artista e, quando acordava, eu também pensava nisso, então era algo primordial pra mim”, lembra ela, que está prestes a dar mais um passo rumo ao sucesso. A cantora está em negociação com produtoras do Rio de Janeiro e São Paulo para lançar uma nova leva de canções autorais, acompanhadas de videoclipes.

A trajetória de Reeyse no meio artístico lembra muito a da cantora MC Rebecca, um dos maiores nomes do funk atual e também uma de suas principais inspirações. Assim como a intérprete de “Deslizo e Jogo”, ela começou brilhando em desfiles de escola de samba, inclusive do Rio. A bela chegou a ser rainha de bateria em agremiações capixabas, e dividiu os holofotes com a funkeira carioca ao atuar como passista na agremiação Acadêmicos do Salgueiro. Na mesma época, ela foi professora de dança de salão.

A estreia na música aconteceu somente em dezembro de 2019, quando iniciou a carreira de DJ em bailes funk. “Me esforcei muito para conseguir me inserir no mercado de trabalho porque as pessoas ainda têm um preconceito muito grande quando veem uma mulher em cima de um palco dominando um baile, ainda acham que é coisa pra homem”, afirma. E foi assim, pronta para derrubar qualquer tabu imposto pela sociedade, que ela decidiu começar a cantar em 2020. Até o momento, a artista possui 25 músicas compostas.

“Minhas referências são mulheres que, por muitas das vezes, as pessoas não davam nada, como Lexa, MC Mirella, Pocah, com quem dizem que me pareço fisicamente, e Anitta. Quando falam que ela é ‘só bunda’, eu fico revoltada porque bunda é só um bônus que Deus nos deu, e o talento e a inteligência dela são surreais. Ao lado dessas cantoras, quero passar uma mensagem de união feminina e mostrar que nós mulheres somos capazes de tudo que a gente quiser, independentemente da nossa realidade”, salienta.

Depressão
Quem vê Reeyse toda dona de si e empoderada, não percebe a luta travada por ela contra a depressão. A capixaba começou a enfrentar o problema aos 13 anos, quando viveu um relacionamento abusivo e, logo depois, precisou lidar com a separação dos pais, depois de 17 anos juntos. “Me senti perdida e vulnerável, sem saber quem cuidaria de mim ou onde eu era bem-vinda. Pra mim a separação deles foi muito difícil porque me vi envolvida entre ficar com meu pai ou com minha mãe, e nunca tinha me imaginado nessa corda bamba. Durante muito tempo foi difícil, porque via a doença como coisa de gente louca, lugar onde me colocaram em muitos relacionamentos que tive, mas me aceitei como uma pessoa que sofre de depressão e que tem crises de ansiedade, e sigo me cuidando, fazendo meu tratamento e estudando sobre a mente humana. Tanto que comecei a faculdade de Psicologia, mas precisei trancar por conta do meu sonho na música”, conta.

Aliás, a cantora usa suas redes sociais para derrubar o mito de que artistas são perfeitos, tornando-se também uma porta-voz da saúde mental. “Aprendi muito com a depressão e não tenho problema nenhum em falar sobre uma doença que pode levar à morte. Muitas pessoas dizem para eu não postar sobre isso no Instagram porque sou uma figura pública, que tenho que mostrar apenas momentos felizes, mas ninguém é feliz 24 horas por dia. Então não vou deixar de falar simplesmente para as pessoas acharem que vivo um conto de fadas e que minha vida é um morango, porque ela não é”, finaliza.

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